Cigarro mata e rouba

31/05/2017

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer José de Alencar (Inca), o cigarro rouba 4.203.383 anos de vida  por morte prematura e incapacidade. São -6,71 anos de vida para as mulheres e -6,12 anos de vida dos homens, em média. No caso dos ex-fumantes, -2,45 anos de vida das mulheres e -2,66 anos de vida dos homens, em média.

O cigarro mata muito. No Brasil, 428 pessoas morrem por dia por causa do tabagismo. E 12,6% de todas as mortes que ocorrem no país podem ser atribuídas ao tabagismo. Cerca de 156.217 mortes poderiam ser evitadas a cada ano. Os dados e os filmes estão no site do Inca e são parte da campanha #cigarromata.

Pagar tratamento para largar cigarro pode ser mais barato que continuar fumando, diz médica

Em 20 anos, o Brasil diminuiu pela metade o número de fumantes. Tratamento com remédios é opção eficaz; de cada 10 que se tratam, 5 ou 6 conseguem parar.
Por Mariana Palma

Publicado pelo G1 em 31/05/2017

Tratamento para parar de fumar envolve 3 meses de tratamento com remédios contra tabagismo

Se largar o cigarro fosse fácil, o Brasil não teria hoje 18 milhões de fumantes. Muitos tentam parar sozinhos e acabam se frustrando porque não conseguem. Só que hoje existe tratamento para isso – um tratamento com remédios que dura 3 meses e pode sair mais barato que o dinheiro gasto com cigarro nesse mesmo período. “O tratamento não é caro. Caro é fumar. Um fumante que fuma, em média, um maço por dia, gasta de R$ 1 mil a R$ 2 mil com cigarro em 3 meses. Os 3 meses de tratamento custam no total R$ 1 mil, em média”, diz a cardiologista Jaqueline Issa, diretora do programa de tratamento do tabagismo do Incor, em São Paulo.

Tratamento para largar cigarro pode sair mais barato que continuar fumando, diz médica

São 3 meses de tratamento com remédios contra tabagismo e 6 meses de tratamento, caso seja necessário, com remédios complementares, para tratar quadros de depressão ou ansiedade, por exemplo. “Em algumas situações, o paciente pode precisar manter a medicação por um prazo maior, mas é uma minoria”, diz a médica.

Segundo ela, nos primeiros 3 meses, as chances de recaída são de 70% – por isso o uso do remédio. “É uma garantia de que o paciente vai passar bem o período crítico, sem sintomas. Depois, do 3º ao 6º mês, as chances de recaída caem para 20%. Do 6º mês até 1 ano, caem para 10%”, conta. Nesses casos, as recaídas acontecem por problemas pontuais – situações de estresse ou algum descuido, como acender um cigarro para um amigo, por exemplo. “Completou um ano de tratamento, as chances de voltar a fumar são muito pequenas.”

Tão pequenas que, de cada 10 pessoas que se tratam, 5 ou 6 nunca mais voltam a fumar. “O benefício em termos de qualidade de vida é muito rápido. Quando você para de fumar, 48 a 72 horas depois, você já eliminou tua nicotina. Isso normaliza a pressão arterial e diminui a frequência cardíaca”, diz a cardiologista.

Atualmente, não são só os mais velhos que procuram tratamento – fumantes mais jovens, de 35 a 40 anos, por exemplo, também. E para esses, os benefícios são ainda maiores. “Quanto antes você parar de fumar, mais chances você tem de passar uma borracha nos anos que você fumou.” Isso não significa, no entanto, que largar o cigarro mais tarde não traz benefícios. “Se não deu para parar precocemente, não importa. Mesmo em idade mais avançada, existe a qualidade de vida”, conclui a médica.


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