Dossiê sobre Suicídio

01/09/2017

Os números são angustiantes. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, ou uma a cada 45 minutos, o que faz do país o oitavo com mais suicídios do planeta. Mas o problema é bem maior, por conta do silêncio da sociedade em torno do tema. Se em alguns dos países com maior incidência de suicídio a taxa está estável, no Brasil ela tem crescido.

Esta foi uma das razões que fez a nova/sb, por meio do Comunica Que Muda (CQM), ir a fundo no assunto a partir do que se fala nas redes sociais que resultou no nosso novo dossiê. Foram capturadas 1.230.197 menções sobre suicídio entre os meses de abril e maio de 2017 nas principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube). Durante o período, os destaques foram os expressivos números de comentários sobre o crime virtual da Baleia Azul e a série 13 Reasons Why (Netflix), o que fez o tema alcançar seu ápice de buscas no Google dos últimos cinco anos.

No geral, o jogo Baleia Azul estava na maior parte das menções, com 59,9%. A série !3 Reasons Why, ficou com 26,6%. As menções sobre depressão somaram 7,7%, enquanto os comentários intolerantes em relação ao suicídio ficaram com 4,1%. Outros assuntos somaram 1,7%.

O estado que concentrou a maior parte das menções nos dois meses da pesquisa foi o Rio de Janeiro, com 27,5% do total. Na sequência, São Paulo, com 17,9%, e Minas Gerais, com 9,9%. Também tiveram destaque o Pará (5,6%), o Rio Grande do Sul (5,5%) e Santa Catarina (4,8%).

“As redes sociais surgiram há pouco tempo, mas entraram no cenário social com um forte chute na porta. Em poucos anos, tomaram conta de muitas horas gastas na web. Depois delas, mudamos muito a maneira com que nos relacionamos, e até como vemos a importância das nossas relações. Apesar de mais conectados, observamos que a abordagem sobre o suicídio ainda é muito superficial. Se de um lado, menos de 30% dos internautas que comentaram o assunto demonstraram alguma conscientização, por outro quase 20% do conteúdo das redes são de mensagens preconceituosas, que reforçam o tabu, incentivam o comportamento autodestrutivo ou impedem o socorro por quem passa esse problema”, destacou a coordenadora-geral do Comunica Que Muda, Bia Pereira.

Faixa etária

– No Brasil, os idosos apresentam as maiores taxas, com oito suicídios para cada 100 mil habitantes, segundo dados do Mapa da Violência. A causa mais comum, com aproximadamente 70% dos suicídios nessa fase, é a depressão, muitas vezes não diagnosticada ou tratada inadequadamente. Psicoses e abuso de drogas, principalmente o álcool, também estão entre os motivos mais frequentes.

“Entretanto, é entre os jovens que as taxas apresentaram o maior crescimento, de 2002 a 2012, o que preocupa bastante. Ninguém é culpado por um suicídio. Ele não é previsível, mas pode ser prevenido. O suicídio tem sido tabu por um longo tempo e as taxas continuam crescendo. Não falar não está ajudando. Não tratar um problema não faz com que ele desapareça. Ao contrário, apenas permite que cresça no escuro. Por isso, precisamos derrubar esse tabu. Esta inclusive é a orientação dos especialistas e da própria Organização Mundial de Saúde (OMS)”, destaca Bia Pereira, da nova/sb.

Outros dados – Segundo o Mapa da Violência, entre 2002 e 2012, o total de suicídios passou de 7.726 para 10.321, um aumento de 33,6%, o triplo da taxa de crescimento da população, que ficou em 11,1%. São 5,3 casos para cada 100 mil habitantes. O índice fica acima do de outras formas de mortes violentas no mesmo período, como homicídios (2,1%) e acidentes de trânsito (24,5%).

Coisa da nova/sb

– Entre as maiores agências de publicidade do País, ganhou um Leão no Festival de Cannes, com a campanha #SonsdaConquista para a CAIXA. Em maio deste ano, também foi premiada com três Clio Awards, o Globo de Ouro da publicidade mundial. Em 2016, foi eleita a Agência do Ano pelos Colunistas Brasil e recebeu o Prêmio Pró-Ética do Ministério da Transparência e do Instituto Ethos, sendo a única do setor a contar com tal chancela. Conta com escritórios em São Paulo, Brasília, Cuiabá e Rio de Janeiro, somando mais de 180 profissionais. É responsável pela iniciativa de Comunicação de Interesse Público, o Comunica Que Muda, que tem aprofundado a discussão sobre temas polêmicos e de grande impacto. Os temas são: descriminalização da maconha, suicídio, lixo, uso do carro e intolerância. O CQM tem uma forte presença digital, com blog (www.comunicaquemuda.com.br) e redes sociais (Youtube, Twitter, Facebook, Instagram e Pinterest). Esta iniciativa segue tradição pioneira iniciada em 2006 pela agência de contribuir com os debates e transformações sociais.


4 respostas para “Dossiê sobre Suicídio”

  1. rosana disse:

    Eu já pensei em me suicidar muitas vezes já imaginei como fazer. Procurei o psiquiatra tomo remédios. Mas quando vejo pessoas dormindo na rua com crianças, quando vejo a maldade humana, o descaso, a corrupcao e penso qque nao quero ver mais isso. Mas agora is remedios me ajudam a manter o equilibrio. Mas nao totalmente.e muito bom receber inf. E conversar com alguem, porque cada vez mais estou fechada.

    • Karla Mendes disse:

      Prezada Rosana,
      Não é fácil. Mas você não precisa passar por isso sozinha. Existem pessoas que podem te ajudar, como os voluntários do CVV, entre outros grupos de apoio aí mesmo na sua cidade. Abraços.

  2. Anônimo disse:

    Já tentei algumas vezes, mas tenho filhos e não posso deixá-los, não quero o que eles sintam o que eu sinto, não quero infelicidade p eles… Meu marido é dependente químico e todo dia é uma luta, todo dia tem sido uma derrota… Não quero que meus filhos sofram mais e eu sinto que sou a única que pode salva-los, mas estou sem forças e sem esperanças e todas as vezes que penso na situação a única coisa que me vem a mente é acabar logo com a minha vida… Estou tão cansada…

    • Karla Mendes disse:

      Prezadx AnonimX,
      Não desista. Não precisa passar por tudo isso sozinhx. Existem grupos de apoio como o CVV. Se tiver alguém próximo, não tenha vergonha de pedir ajuda e desabafar. A gente precisa enfrentar a barreira do preconceito.

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