Elas querem parar

07/03/2017

“Se nosso trabalho não vale, produzam sem nós” é o slogan do movimento 8M ou International Women’s Strike. Mulheres de 30 países planejam fazer uma greve geral marcado para o Dia da Mulher. Grupos feministas da Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, República Checa, Equador, Inglaterra, França, Alemanha, Guatemala, Honduras, Islândia, Irlanda do Norte, Irlanda, Israel, Itália, México, Nicarágua, Peru, Polônia, Rússia, El Salvador, Escócia, Coreia do Sul, Suécia, Togo, Turquia, Uruguai e EUA pretendem deixar escritórios, lojas, fábricas ou qualquer trabalho sem a presença do sexo feminino para protestar contra as desigualdades de gênero e a violência.

E os números da desigualdade de gênero e violência contra a mulher são muito ruins no mundo todo. Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu abuso sexual e o Brasil está entre os cinco países do mundo onde se mata mais mulheres – 5.000 mortes por ano, de acordo com o IPEA. No mercado de trabalho, em quase todos os países do mundo, mulheres trabalham mais horas que os homens e ganham menos do que eles. Dos 30 empregos mais bem pagos no mundo, 26 são dominados por homens.

Respeito às diferenças, sim. Desigualdade nunca. Este é o slogan da campanha institucional da maior emissora do país, a Rede Globo, que escolhemos para ilustrar o início deste post. A desigualdade estimula uma situação ainda muito grave: a violência. Relegada a um papel inferiorizado, as mulheres são vítimas. Para se ter uma ideia, somente durante o Carnaval as denúncias de violência sexual aumentaram 87,9% neste ano em comparação com o carnaval de 2016, segundo dados da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, do governo federal.

No Brasil um estupro é registrado a cada 11 minutos e 90% das mulheres tem medo de sofrer violência sexual. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Data Popular, na qual 49% dos homens brasileiros acreditam que carnaval não é lugar para “mulher direita”. E mais: 61% acreditam que a mulher que se encontra solteira e decide ir se divertir pulando em algum bloco do carnaval não pode se manifestar contra as possíveis cantadas.

 


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