O que quiserem ser

01/11/2017

Identidade de gênero não é uma coisa fácil. Além do debate inflamado e da intolerância, a questão delicada começa dentro da família. Especialmente quando se trata de crianças. Não é fácil para os pais. Mas pode ser menos complicado para os pequenos se o preconceito der lugar ao amor incondicional, onde o mais importante é vê-los felizes.

Isto é que torna o filme”Meus Heróis”, dirigido por Almog Avidan Antonir e produzido pela Landwirth Legacy Productions, tão bacana. A campanha de interesse público criada para a internet, uma família comum se prepara para Halloween. Quando a mãe mostra as fantasias, o prazer das crianças – um menino e uma menina – contrasta com o rosto de papai se enche de desgosto.

As fantasias são Batman e Mulher Maravilha. As crianças são um menino e uma menina. Enquanto percorrem o bairro em busca dos docinhos, os pais ficam um pouco distantes, acompanhando o périplo de longe. O pai permanece tenso até perceber que as crianças estão sendo bem tratadas. O porquê é revelado apenas no final, quando as crianças finalmente adormecem e podemos ver que era a menina vestida como Batman e o menino vestido como Mulher Maravilha.

Quando o pai fecha a porta do quarto e sussurra: “Meus heróis” entra a cena final com o texto “o que quiserem ser”.

A peça emocional foi escrita por Alexander Day e Brian Carufe. A ideia foi desafiar os estereótipos de gênero durante um feriado tradicional nos EUA que, apesar das muitas liberdades que oferece, também tem uma maneira engraçada e engraçada de reforçá-los. São comuns fantasias que reforçam os rótulos.

O filme não traz nada que se leve à conclusão que o pai não aceita seus filhos como eles são. O que o preocupa é o medo que as crianças sejam feridas de alguma forma.


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