Poluição mata mais crianças

07/03/2017

Degradação do meio ambiente e poluição estão associadas a um número cada vez maior de problemas de saúde, segundo o PNUMA. Foto: Banco Mundial / Curt Carnemark

A poluição mata mais crianças no Brasil do que em países como a China, conhecida pelos índices alarmantes de poluentes no ar. Na China, a cada mil nascimentos, pelo menos dez crianças morrem antes de chegar aos 5 anos de idade. No Brasil, em cada mil crianças que nascem, pelo menos 16 não chegam aos 5 anos.

O alerta foi feito pela Organização Mundial da Saúde: 25% das mortes de crianças com menos de cinco anos têm como causa ambientes poluídos. No total, no mundo são 1,7 milhão de óbitos por ano. São mais de 3 mortes por segundo.

Os dados estão no relatório “Herdar um Mundo Saudável: Atlas sobre a Saúde e o Meio Ambiente das Crianças” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), lançado ontem (6/3).

“Todos os anos, quase 7 milhões de pessoas morrem, porque são expostas à poluição em ambientes internos e externos, (envolvendo) desde a produção de energia, a utilização de fornos, o transporte, fornalhas industriais até queimadas e outras causas”, afirmou o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O chefe da agência da ONU destacou que cerca de mil crianças morrem por dia devido a doenças transmitidas por água contaminada e imprópria para o consumo. No mundo, mais de 2 bilhões de indivíduos vivem regiões onde falta água.

O PNUMA mencionou a zika, a malária e o ebola entre as infecções cujos riscos são agravados conforme a degradação da natureza aumenta. Diferentes tipos de câncer e formas de intoxicação também foram citados.

“Há uma consciência crescente de que os humanos, pela sua intervenção no meio ambiente, desempenham um papel fundamental no recrudescimento ou na mitigação dos riscos à saúde”, disse Steiner.

Saneamento

O documento diz que mais de 25% dos óbitos de crianças com menos de cinco anos têm como causa ambientes poluídos, entre eles estão a poluição externa e a interna, neste caso, o fogão à lenha é um exemplo clássico. Além deles estão o fumo passivo, água contaminada, falta de saneamento básico e higiene inadequada.

O relatório afirma que as principais causas de morte, diarreia, malária e pneumonia, podem ser evitadas por intervenções para reduzir os riscos ambientais. Entre essas intervenções estão o acesso à água potável e combustíveis limpos para cozinhar, gás ou eletricidade em vez de lenha ou carvão.

Um segundo relatório também lançado esta segunda-feira pela OMS, “Não Polua meu Futuro”, dá uma visão geral sobre o impacto do meio ambiente sobre a saúde das crianças.

Todos os anos, 570 mil menores de cinco anos morrem de infecção respiratória, pouco mais de 360 mil perdem a vida por causa da diarreia. A malária e os ferimentos intencionais matam cada um cerca de 200 mil crianças.

A OMS diz ainda que 270 mil bebês morrem durante os primeiros 30 dias de vida.

Recomendações

Os relatórios da ONU sugerem uma ação conjunta de vários setores dos governos:

  • Habitação – só deve ser usado combustível limpo para o aquecimento e para cozinhar alimentos.
  • Escolas – os governos devem fornecer saneamento básico e serviços de higiene além de nutrição adequada para alunos, professores e funcionários.
  • Hospitais  –  devem ter água potável, serviço de saneamento básico e eletricidade.
  • Planejamento Urbano  – deve incluir mais espaços verdes e locais para caminhadas e para bicicletas.
  • Transportes – as autoridades devem reduzir os índices de emissão de gases e aumentar a frota de transporte público.
  • Agronegócios –  é importante reduzir o uso de pesticidas tóxicos e o uso de substâncias químicas.
  • Indústria –  a meta é reduzir o lixo tóxico e também o uso de substâncias químicas.

Com informações da ONU.


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