Criança não namora

20/04/2017

Lançada no início do mês, a campanha #CriançaNãoNamoraNemDeBrincadeira é uma campanha da Secretaria de Assistência Social (Seas), que conta com a parceria do blog Quartinho da Dany, com o objetivo é conscientizar pais e responsáveis sobre relacionamentos infantis. A amizade é a relação que existe entre as crianças. A Secretaria alerta que criar ou até mesmo incentivar relações de namoro na infância, são formas de adultizar e estimular a erotização precoce.

A ação ganhou proporções nacionais com a publicação de matéria no Huffpost Brasil e uma enorme repercussão nas redes sociais. Em poucos dias, a publicação quase bateu 500 mil compartilhamentos e mais de 7 mil comentários, em um debate sobre os riscos de incentivar uma “brincadeira” nada infantil.

Incentivar um abraço, beijos e até simular casamentos e compromisso entre duas crianças não é algo saudável e pode trazer malefícios para o seu desenvolvimento. O oposto ao que os pais almejam pode acontecer: a criança se tornar um adulto com dificuldades de se relacionar ou com traumas que geram relacionamentos abusivos.  A cada ano, 15 milhões de meninas em todo o mundo se casam antes de completar 18 anos. No Brasil, 36% da população feminina se encontra nessa situação.

“Não é engraçadinho incentivar beijinhos de namoro ou declarações de amor entre as crianças. É nosso papel separar o mundo adulto do mundo infantil”, escreveu Dany Santos, professora da rede pública, em seu blog Quartinho de Dany, que fala sobre educação infantil e criação de filhos. “Criança não namora. Criança se relaciona com os amiguinhos, e eles são simplesmente amigos. Amizade é o nome. Insistir em namoro na infância é adultizar as crianças, incentivar a erotização precoce!”.

Desde o primeiro post no Facebook na página da Secretaria, as discussões sobre o assunto tiveram uma receptividade positiva da opinião pública. “Para a nossa surpresa, no dia seguinte da publicação, ela já tinha mais de seis milhões de visualizações e mais de 110 mil compartilhamentos”, disse o psicólogo e terapeuta Luiza Coderch, coordenador dos centros de convivência da Secretaria de Estado de Assistência Social em entrevista ao Huffpost Brasil.

Casamento infantil

Além a vulnerabilidade à situações de violência sexual, outros efeitos da erotização precoce são a gravidez na adolescência e o casamento infantil. De acordo com o relatório Fechando a Brecha: Melhorando as Leis de Proteção à Mulher contra a Violência, divulgado pelo Banco Mundial, o País tem o maior número de casos de casamento infantil da América Latina e o quarto no mundo. Apesar de a lei estipular 18 anos como idade legal para a união matrimonial e permitir a anulação do casamento infantil, a lei brasileira permite o casamento a partir dos 16 anos, desde que haja o consentimento parental.