Caso Isabella: sensacionalismo ou pressão da opinião pública

09/04/2008


Há onze dias, a mídia explora todos os ângulos do homicídio da menina Isabella, assassinada em São Paulo. Dias após o crime, o promotor do caso, em entrevista coletiva, cravou que a versão do pai e da madrasta para o crime era “fantasiosa”. Durante vários dias se especulou a autoria do crime. Repórteres foram atrás de testemunhas e procuraram traçar um perfil do casal. As informações divulgadas induziam, ainda que de uma forma não explícita, a uma condenação do pai e da madrasta. Desde ontem, depois dos primeiros resultados das perícias não comprovarem que o pai e a madrasta praticaram o crime, nas entrevistas, o promotor pediu cautela e que as pessoas se abstenham de conclusões precipitadas sobre o crime. No passado, houve casos emblemáticos de que a precipitação na divulgação de fatos em torno de um crime ou suposto crime destruiu a vida de inocentes. É o caso da Escola Base – os donos foram acusados de pedofilia e no final foi comprovado que nada fizeram – e da mãe acusada de dar cocaína ao próprio filho na mamadeira – ela foi espancada e perdeu o olho na cadeia, a perícia comprovou que ela não deu drogas à criança. Este comportamento é fruto da pressão da opinião pública, chocada por um crime tão brutal ou é o sensacionalismo da mídia atrás de audiência?