02/09/2016

Intolerância

Nike denuncia machismo reverenciando Serena Willians.

A maior atleta

02/09/2016

Em Inglês (como no Português), a palavra athlete não tem flexão de gênero. Por isso, para diferenciar as mulheres, é usual usar “female athlete” (atleta feminina). No novo filme da campanha Unlimited Greatness da Nike, a marca bota todo mundo para refletir (de novo, confira outra campanha aqui)  sobre as nuances do machismo nosso de cada dia celebrando a tenista Serena Williams. A palavra female é riscada no filme, enquanto todas as suas conquistas vão sendo relacionadas. Além do filme, a campanha incluiu também mídia out-home (veja abaixo). A criação é da Wieden + Kennedy.

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Ícone do esporte mundial, a tenista também é conhecida pela sua luta na defesa das mulheres. Aos 34 anos, a tenista é a número 1 do mundo há três anos consecutivos, vencedora de 22 torneios Grand Slam. A ideia do filme veio de uma entrevista da própria Serena Williams no ano passado. Ao ser perguntada pelos jornalistas como era ser uma das maiores atletas femininas da atualidade, ela respondeu que preferia ser considerada como uma das maiores atletas da atualidade. Um jeito sutil de combater o sexismo na mídia.

Como a atleta está disputando o torneio dos Estados Unidos de Tênis, a Nike reforçou a ideia da campanha com mensagens de apoio de uma série de personalidades, de atletas ao comediante Kevin Hart.

Racismo e machismo

Apesar de ser uma das maiores tenistas de todos os tempos, colecionando vitórias desde os 14 anos, Serena Williams nunca deixou de sofrer ataques machistas e racistas. Aliás, a cada vitória, tweets a comparam a um gorila ou pontuam sua musculatura como algo “viril”, inadequada para uma mulher.

O pessoal do portal Jornalistas Livres mostrou que, em julho deste ano, se deu mais destaque ao afastamento por doping da tenista russa Maria Sharapova (5 títulos no Grande Slam) que à vitoria de Serena Williams em Wimbledon, o seu 22º título simples (ela ganhou outros 14 torneios em dupla, ao lado da irmã Venus, e 2 em duplas mistas). Aliás, os vídeos dos jogos de Serena sequer estão relacionados no site oficial de Wimbledon. 

A gente também recomenda a leitura do artigo de Jenée Desmond-Harris, da Vox e traduzido no Blogueiras Feministas. O texto pontua e analisa os ataques sofridos pela tenista desde o começo de sua carreira, além “da tríade do inferno: misoginia, racismo e transfobia” como define outro artigo, de Corin Gaston da Ms. Magazine.

Ataques na gravidez

Atualização em 30/6/2017: Para celebrar a chegada de seu primeiro filho, a campeã mundial de tênis Serena Williams posou para capa da revista norte-americana Vanity Fair vestindo nada além de uma calcinha embaixo de uma delicada corrente. Ela ficou noiva do inventor do site Reddit, Alexis Ohanian, em dezembro de 2016. No mês seguinte, Serena descobriu que estava grávida de oito semanas – e, mesmo assim, ganhou todas as sete partidas do Aberto da Austrália sem ninguém saber da gestação. Apesar de deslumbrante, o site da revista e pelo twitter, a tenista foi alvo de comentários racistas. Veja mais aqui.